
As tempestades que assolaram o país tornaram evidente que a privatização dos Serviços Públicos não responde às necessidades das populações, e, pelo contrário, em situação de crise, agravam e prolongam as consequências.
O Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) manifesta a sua solidariedade para com todas as populações afetadas pelas sucessivas intempéries que estão a assolar o nosso País e que estão a devastar parte significativa do nosso território, provocando a perda de vidas humanas, destruindo total ou parcialmente habitações, empresas, explorações agrícolas e infraestruturas de serviços essenciais às populações, como estradas, vias férreas, distribuição de luz, água e comunicações.
Mas o MUSP não pode deixar de denunciar que as intempéries revelaram a fragilidade e descoordenação dos diferentes meios que de uma forma pronta deveriam ter dado resposta aos diferentes e gravíssimos problemas com que milhares de pessoas estão a ser confrontadas.
A fragilidade na resposta e a descoordenação dos meios, resulta de diversos fatores, mas tem, na sua essência, uma natureza de ordem política, de responsabilidade dos sucessivos governos do PS, PSD e CDS, que ao longo dos anos apostaram no desmantelamento dos serviços públicos, designadamente, daqueles que estavam desconcentrados pelo território nacional, como os serviços hidráulicos, florestais e agrícolas; ou na privatização de empresas públicas de importância estratégica para o País, como a EDP, a Portugal Telecom, a Brisa, política que agora procura prosseguir, contando com o apoio agora de CHEGA e IL.
Os serviços públicos extintos ou reduzidos à expressão mais simples, foram incapazes de atuar prontamente, para dar resposta aos muitos e muitos problemas das populações e
do território. E os operadores privados, olharam primeiro para os seus interesses e depois para as necessidades urgentes das populações. É paradigmático que na região de Leiria, na sequência da tempestade, tudo deixasse de funcionar (Luz, água, comunicações) a não ser a cobrança de portagens.
Preocupante é a, também, a reação das infraestruturas fundamentais no plano das acessibilidades e mobilidade e mesmo daquelas que diretamente têm a ver com a segurança e o socorro das populações, como auto-estradas, estradas nacionais ou municipais, rede de condução de energia elétrica, linhas férreas, que perante sucessivas condições atmosféricas acima do normal, colapsaram e continuam em muitos casos sem estarem
recuperadas.
O Ministro das Infraestruturas, em vez de solicitar à BRISA uma solução que rapidamente repusesse as condições de mobilidade, de exigir um plano que antecipasse soluções alternativas, redundâncias, sobretudo tratando-se da autoestrada principal do país, veio antes dar acolhimento à incapacidade de uma resposta célere, procurando fazer baixar expectativas, vaticinando até um longo período de interrupção da A1.
O Movimento de Utentes dos Serviços Públicos expressa a sua solidariedade para com as populações afetadas pelas intempéries e reclama do Governo que proporcione a todos, os meios para que possam, com a maior brevidade possível, recuperar a normalidade e qualidade nas suas vidas.
Lisboa, 15 de fevereiro de 2026
MUSP
